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Vaticano anuncia beatificação de padre assassinado em Jauru; cerimônia será em junho


Por Jaconias Neto

Vaticano anuncia beatificação de padre assassinado em Jauru; cerimônia será em junho

 A Igreja Católica anunciou, nesta terça-feira (23), que o Papa Leão XIV aprovou a realização da celebração litúrgica de beatificação do padre italiano Nazareno Lanciotti, assassinado aos 61 anos em Jauru, a 463 km de Cuiabá, em fevereiro de 2001.

A cerimônia será realizada no dia 13 de junho deste ano, às 9h (10h no horário de Brasília), no próprio município onde o religioso atuou por décadas. A celebração será presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, que participará como representante do pontífice. A missa terá transmissão ao vivo por canais católicos, incluindo a Canção Nova Cuiabá.

Padre Nazareno ficou conhecido por sua atuação firme contra injustiças sociais e abusos de poder. Após a morte, fiéis iniciaram movimentos pela canonização do sacerdote. Em 2007, a Santa Sé autorizou a abertura do processo de investigação sobre sua vida e martírio. A documentação foi enviada ao Vaticano dez anos depois.

Um dos critérios fundamentais para a beatificação foi o reconhecimento de que a morte ocorreu por ódio à fé, conforme apontam membros do Movimento Sacerdotal Mariano do Brasil.

Quem foi Nazareno Lanciotti

Nascido em 3 de março de 1940, em Roma, na Itália, Nazareno foi ordenado sacerdote em 1966. Ele chegou a Jauru em 1972 por meio da Operação Mato Grosso, iniciando o trabalho pastoral com missas em locais improvisados e assistência a doentes e famílias carentes.

Em 1974, fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e, em 1987, ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano, chegando a ocupar a presidência nacional da entidade.

Além da atuação religiosa, o padre também denunciou problemas sociais na região, como exploração de menores, prostituição e tráfico de drogas. Em um dos episódios mais marcantes, chegou a se ajoelhar durante um confronto armado para evitar mortes em disputa de terras.

Em fevereiro de 2001, o religioso foi rendido dentro da própria casa por dois homens armados e baleado. A morte gerou forte comoção e deu início ao processo que agora culmina na beatificação.